1 700 vítimas de Mariana são indenizadas
Cerca de 1.700 pescadores afetados pelo desastre ambiental de Mariana começam a receber indenizações, graças a um acordo extrajudicial firmado com a Fundação Renova, que representa a Samarco Mineração, Vale e BHP Billiton, responsáveis pelo acidente. O acordo foi firmado às vésperas de a tragédia completar dois anos, neste domingo, 5 de Novembro. Representante de cerca de 1.000 destes 1.700 pescadores, o advogado Leonardo Amarante afirma que este é um dos maiores acordos de indenização já firmados no Brasil.
“Após meses de negociação, chegamos a um ótimo resultado. As indenizações permitirão que estes pescadores que tanto perderam com o desastre retomem suas vidas em condições dignas”, afirmou Leonardo Amarante.
Sócio do Leonardo Amarante Advogados, Amarante é referência em indenização cível. Já representou vítimas do naufrágio do Bateau Mouche, do desabamento do Edifício Palace II e dos acidentes aéreos da Gol e Air France. Está também à frente da ação que condenou a Volkswagen a pagar R$ 1 bilhão em indenizações, por ter fraudado o controle de emissões dos veículos Amarok, no chamado Dieselgate.
A maior parte dos pescadores contemplados no acordo vive em Linhares, Baixo Guandu e Regência, no Espírito Santo. O pagamento das indenizações aos 1.700 contemplados se estenderá possivelmente até dezembro. Os primeiros 50 pescadores indenizados assinaram o acordo na quarta-feira, 1 de Novembro.
Leonardo Amarante, que ao todo representa 4.800 vítimas do caso Mariana, destaca que outro ponto positivo do acordo é que não será descontado das indenizações o que foi pago pela Renova como ajuda aos pescadores. E o subsídio será mantido por três anos, até a tragédia completar cinco anos.
Considerado o maior desastre ambiental do país, o rompimento da barragem de Fundão, que fazia a contenção de rejeitos de mineração, ocorreu em 5 de novembro de 2015. A enxurrada de lama acabou com o distrito de Bento Rodrigues e contaminou o rio Doce, que abrange 230 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. Sem peixes, os pescadores perderam seu sustento e afetaram a economia das cidades, que perderam os recursos que injetavam em estabelecimentos de comércio e serviço.
