15 anos depois, primeiros cotistas da UERJ são o retrato do sucesso das cotas

Publicado em 15 abril, 2019 9:18 am

Da Época:

Quando foi aprovada no vestibular de psicologia, Josilene de Oliveira pegou a bicicleta Caloi que lhe fazia companhia desde a infância e se pôs a pedalar. Com um sorriso estampado no rosto, ela cruzava as ruas de Parque Flora, bairro da Baixada Fluminense, como quem comemora uma conquista há muito esperada. A 46 quilômetros dali, em Curicica, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a dona de casa Ofélia Ventura não se preocupou em fazer surpresa e contou às duas filhas que a aprovação havia chegado. Luciene Ventura seria caloura do curso de matemática, e Luciana passaria os próximos cinco anos estudando engenharia química.

Ao serem aprovadas no vestibular, Josilene e as irmãs Ventura fariam parte dos 3.055 cotistas que há 15 anos inauguraram o sistema de cotas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a primeira instituição pública de ensino a implementar a medida. Adotadas durante o governo Lula, as ações afirmativas fizeram o percentual de universitários negros dobrar, mas o valor continua distante daquele alcançado pela população branca. Crítico à medida, Bolsonaro já a classificou de “coitadismo” e indicou que pretende extingui-la.

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Levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2016 mostrou que, entre as 150 escolas com os melhores resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apenas seis eram públicas, quatro delas federais e duas estaduais. Para cursar o terceiro ano no colégio mais bem avaliado do ranking, o estudante teria de desembolsar pelo menos R$ 2.933 por mês. Já no segundo lugar, a mensalidade para o último ano do ensino médio gira em torno de R$ 3.260. O salário mínimo, no entanto, ainda não chega a mil reais. “Isso faz com que essas pessoas tenham acesso a menos conteúdo não por terem menos capacidade de aprendizado, mas por não terem tido acesso a espaços onde existe uma circulação mais efetiva desse conteúdo”, destacou Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (Iesp-Uerj).

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