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3. Mais um ex-diretor da Siemens vai a julgamento na Alemanha

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DW

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Começou na manhã desta sexta-feira, em Munique, o processo contra o ex-diretor da Siemens Uriel Sharef, acusado de envolvimento no pagamento de subornos realizado pela empresa alemã a funcionários públicos argentinos em troca de um contrato de fabricação de documentos de identidade.

Sete anos depois de a revelação dos subornos da Siemens causar o maior escândalo de corrupção da história corporativa da Alemanha, o ex-membro do conselho executivo do conglomerado responde ante a Justiça alemã por tripla fraude em relação a um contrato para a produção de carteiras de identidade com tecnologia digital.

A promotoria acusa o ex-executivo de acobertar um sistema de caixa dois e de pagamento de propinas pela Siemens a membros do governo argentino em 2003, em troca de um grande contrato de produção de cédulas de identidade mais seguras contra falsificação.

O processo começa no momento em que o grupo alemão é centro de um escândalo no Brasil. No mês passado, a Siemens relatou às autoridades brasileiras ter participado de um cartel em licitações para a compra de equipamento ferroviário e para a construção e manutenção de linhas de trens e metrô no Distrito Federal e em São Paulo.

A empresa está sendo investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pelo Ministério Público Estadual de São Paulo e pela Polícia Federal. Também está sendo processada pelo governo de São Paulo, que pede na Justiça ressarcimento pelos danos causados ao patrimônio público por um suposto cartel.

O escândalo argentino atinge uma série de antigas autoridades do país. Entre as pessoas que receberam propina estariam ministros e secretários de Estado. Até mesmo o ex-presidente Carlos Menem teria embolsado dinheiro da Siemens. Na época, corrupção não era punida tão severamente como hoje na Alemanha.

“Com certeza, a Siemens teve durante muitos anos um sistema de caixa dois”, reconhece Hans Leyendecker, um dos jornalistas investigativos mais proeminentes da Alemanha e que cobre o escândalo da Siemens para o jornal Süddeutsche Zeitung.

Uma série de executivos da Siemens teria conseguido conquistar contratos importantes através de suborno. A própria empresa não se preocupava com os casos de corrupção. “Funcionários descobertos nesses casos eram, em parte, transferidos ou promovidos”, afirma Leyendecker.

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