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4. Crianças se organizam em sindicato na Bolívia

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DW

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706x410q708d288577be4732445d5fcf0d8ea0b0eaDeyna Mamani tem apenas 12 anos, mas já trabalha há quatro. Ao lado da avó, ela vende suco no mercado de La Paz nos fins de semana para comprar material escolar e passagem de ônibus – o que seus pais não podem pagar.

Rodrigo Calle é dois anos mais velho e ganha a vida de madrugada, vendendo bala e cigarro em bares da capital.

Tecnicamente, Deyna e Rodrigo não poderiam trabalhar. Ela porque é menor de 14 anos, e ele por ser proibido o trabalho de menores de 18 anos em bares à noite.

Mas na Bolívia eles são a regra – não a exceção. E eles não só trabalham, como fazem parte de um sindicato – a União das Crianças e Adolescente Trabalhadores da Bolívia (Unatsbo).

O sindicato defende os direitos dos trabalhadores infantis e adolescentes, lutando contra a exploração e pela permissão de trabalho para menores de idade.

Para Rodrigo, é irrealista e arbitrário que crianças não sejam contratadas para determinados empregos por causa da idade.

“Talvez as pessoas digam que nós ainda temos a mentalidade de criança”, argumenta. “Mas há adultos de 21 anos que pensam como crianças, e adolescentes de 13 que pensam como adultos.”

No país de segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul, muitas famílias precisam da renda obtida pelas acrianças.

A maioria dos trabalhadores infantis do país auxilia os adultos nas plantações ou está empregada no setor informal – em atividades que, internacionalmente, nem sempre são definidas como “trabalho infantil”.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a definição depende da idade, da jornada e das condições de trabalho, além da legislação de cada país.

A maioria dos jovens sindicalistas do Unatsbo defende que crianças não devem trabalhar na mineração e na colheita de cana-de-açúcar, por exemplo.

Eles pedem que políticos não se concentrem mais na idade limite para o trabalho infantil, mas na proteção contra abusos físicos e psicológicos e na busca por um salário melhor para os jovens.
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