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4. Médicos estrangeiros falam de expectativa e desafio de atuar no Brasil

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BBC Brasil

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Às 5h30 da manhã o soldado que guarda as instalações militares que servem como abrigo para os primeiros profissionais do programa Mais Médicos acende a luz do quarto, anunciando mais um dia de treinamento.

Em São Paulo, mais de 50 deles se preparam para trabalhar no interior do país, em rincões onde o atendimento básico é luxo.

Poucos quilômetros separam o quartel na zona sul de São Paulo da Escola Municipal da Saúde, onde há uma semana o grupo de destemidos profissionais tem aulas sobre o sistema de saúde brasileiro e noções de português.

As primeiras noções sobre como funciona o SUS e carga mais pesada sobre língua portuguesa são dadas em uma sala da Escola Municipal de Saúde, de São Paulo, uma das oito capitais onde os “estrangeiros” recebem treinamento por três semanas.

A vizinhança rica e os prédios envidraçados da Vila Olímpia, onde a escola se situa, destoam da próxima parada destes profissionais.

A portuguesa Kátia Abrantes Miranda, 61 anos, tem uma neta com o nome “da grande Elis Regina”. Ela diz que isso é mostra de sua estreita relação com o Brasil.

Mas esta não é a primeira experiência internacional desta portuguesa nascida no antigo Congo Belga e que já clinicou em vários países, como Inglaterra e Holanda.

“Eu sempre quis viver no Brasil”, conta, dizendo que era chamada de brasileira nos tempos da faculdade.

Kátia seguirá para Indaiatuba (SP) e diz que não nutre grandes expectativas. Sabe que a jornada será puxada e diz que está preparada.

“Pode ser que as tecnologias não sejam as mesmas, os protocolos não sejam os mesmos, mas gente doente e precisando de prevenção há por todo lado, é igual”, diz.

Kátia se diz entusiasmada com a “oportunidade” e até o momento é só elogios ao programa, embora faça piada com o fato de ter lições de “português”, parte integrante do curso preparatório aos estrangeiros.

A única grande crítica de Kátia e dos demais médicos é em relação ao episódio em que médicos brasileiros hostilizaram colegas cubanos durante treinamento em Fortaleza.

“Acho abominável”, diz Kátia. “É uma grande falta de respeito”. Mas a crítica logo se dissipa com mais elogios tecidos aos brasileiros.

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