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4. ‘Não imaginava que fosse dormir com fome no Brasil’, diz refugiada do Congo

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RTEmagicC_12.2012.12_Brasil_ACNUR_002Por dois dias, a reportagem da BBC Brasil acompanhou aulas de português concedidas a refugiados na sede da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, no bairro do Maracanã, zona norte da cidade.

Mesmo com o calor registrado nos primeiros dias de março, crianças e adultos, em sua maioria provenientes da República Democrática do Congo, lotavam a varanda transformada em sala de aula para aprender as primeiras palavras da língua do país que os acolheu.

Em comum, todos pareciam sentir um alívio por terem saído de uma situação que muitos descreveram como “infernal” em seu país. Mesmo assim, eles se mostravam preocupados com os meios para se sustentar no Brasil.

Abaixo, um depoimento expressivo de uma mãe solteira de três filhos:

“O país (Congo) não está bom, está em guerra. Foi uma grande história para chegar aqui. Eu vim de avião, uma pessoa me ajudou. Fizeram documentos falsos. Mas, depois que cheguei, a pessoa me deixou na rua com as crianças e foi embora. Tive que dormir na rua no primeiro dia com as três crianças.

Tenho três filhos. O primeiro tem 9, essa tem 3 e um bebê que nasceu aqui e tem três meses. Não tenho ninguém que possa me ajudar, estou sozinha. Se não fossem os vizinhos, não sei como seria minha vida. O dinheiro (que ganho da Cáritas) só dá pra pagar o aluguel da casa.

Eu estou triste porque meus filhos não têm leite para tomar, as outras estão com fome. Eu não tinha idéia de que no Brasil seria ruim assim, eu não imaginava que um dia fosse dormir com fome no Brasil.”
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