6. Cunhado de Nietzsche quis montar colônia racista no Paraná
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O filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) bem que desejou um outro marido para sua irmã Elisabeth. No entanto, em 1865, ela decidiu casar-se justamente com o professor secundário berlinense Bernhard Förster.
Durante o reinado do último imperador alemão, Guilherme 2º, Förster angariara uma péssima fama como antissemita. Foi afastado do ensino depois de uma briga de rua com o empresário judeu do ramo de bebidas Edmund Kantorowicz. A partir de então, passou a se apresentar como “mártir”. Em 1886, abandonou a Alemanha, juntamente com Elisabeth Förster-Nietzsche, numa caravana de 14 famílias, com o fim de assegurar a sobrevivência da “raça ariana”.
Viagem ao Paraguai
O destino da viagem era o Paraguai. Lá – segundo as expectativas de Förster –, as pessoas podiam novamente tornar-se “saudáveis”, através de um estilo de vida em harmonia com natureza e do abandono das “más influências” da civilização.
Parte importante de sua ideologia era excluir tudo o que fosse supostamente judeu: por isso sua sociedade “racialmente pura” teria que ser fundada longe da Alemanha. A comunidade cultivava, ainda, ideias socialistas e o vegetarianismo – com base na opção alimentar do próprio casal Förster-Nietzsche.
Para o governo paraguaio, os alemães eram bem-vindos. O país estava numa situação catastrófica: após a Guerra do Paraguai, travada contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) em 1870, o Paraguai não só perdera a metade do território nacional, como 80% dos homens aptos ao serviço militar. Portanto, não era de espantar que o governo em Assunção estivesse disposto a receber de braços abertos um grupo de colonos dispostos a investir no país.
Dependência de apoio alemão
A colônia “Nueva Germania” foi fundada em 1887 como primeiro assentamento privado do Paraguai, para o qual o governo de Assunção concedera mais de 20 mil hectares de terra, a 90 quilômetros a sudeste da cidade de Concepción (leste), onde somente alemães eram aceitos.
Os primeiros anos foram penosos para os “novos germânicos”: além de atormentados por pragas e parasitas, suas colheitas eram miseráveis.
O racista Förster doutrinava os colonos segundo sua brutal visão de mundo. Já durante a viagem de navio até o chamado Novo Mundo, fazia palestras sobre temas como a “Purificação e renascimento da raça humana” ou a “Salvação da cultura da humanidade”.
Uma cláusula no contrato entre o governo do Paraguai e Förster determinava que, se dentro de dois anos não houvesse 140 famílias alemãs vivendo na colônia, a concessão das terras seria rescindida. Isso obrigava o ideólogo a fazer forte propaganda na Alemanha, tanto para conquistar novos colonos como para angariar doações para seu projeto.
Friedrich Nietzsche, que repudiava o antissemitismo, negou veementemente qualquer tipo de apoio financeiro. Sua irmã tentou convencê-lo por todos os meios, sugerindo, por exemplo, que uma área da Nueva Germania fosse denominada “Bosque de Friedrich”. O filósofo respondeu com sarcasmo: era melhor o nome “Lamaland” – “Lama” era o apelido que Nietzsche usava para Elisabeth.
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