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8. Policiais e manifestantes voltam a se enfrentar no Rio

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O Globo

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A Rua Pinheiro Machado voltou a se transformar em uma praça de guerra na noite da segunda-feira (12). Manifestantes e policiais militares entraram em confronto e, para tentar dispersar a multidão, os PMs usaram bombas de efeito moral e spray de pimenta. Um grupo deixou o local, mas circula em ruas do entorno. Algumas pessoas botaram fogo em um monte de entulho na Pinheiro Machado, que ficou fechada durante quase quatro horas. Pontos de ônibus, lixeiras e pelos menos três agências bancárias foram vandalizados na região.

Bombeiros foram acionados para apagar as fogueiras feitas pelos manifestantes. Uma lanchonete da rede McDonald´s também foi atacada na Rua dois de dezembro. De acordo com o site G1, pelo menos duas pessoas foram detidas em meio à confusão.

O grupo dispersado pela polícia deu a volta no quarteirão e está concentrado na Rua Coelho Neto, próximo à Rua Pinheiro Machado. Algumas placas de identificação de ruas também foram danificadas pelo bairro. Os manifestantes ameaçaram voltar para frente do Palácio, mas foram contidos por um dos integrantes do black blocs, que achou mais prudente retornar e seguir por um outro lugar. A Coelho Neto e vias no entorno estão impregnadas pelo cheiro do gás lacrimogêneo. Duas caçambas de lixo foram chutadas e várias pedras foram arremessadas contra a polícia.

O protesto começou no início da noite, no Centro do Rio, onde não foi registrado problemas. O clima em Laranjeiras começou a ficar mais tenso por volta das 20h40m. Um grupo de professores, que esteve reunido no Palácio com o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, foi expulso após tentar ocupar o local. A medida do governo gerou indignação do lado de fora, onde cerca de 300 manifestantes protestavam contra o governador Sérgio Cabral.

Algumas pessoas derrubaram grades que foram postas na calçada da Pinheiro Machado para proteger o Palácio. Um policial lançou spray de pimenta sobre os manifestantes, causando correria. Diversas bombas de efeito moral foram lançadas. Há relatos de que uma bomba de fabricação caseira foi arremessada para dentro do pátio do Palácio Guanabara e explodiu entre os policiais do Batalhão de Choque.

Em nota, o governo do estado informou que “o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, e o subsecretário de Educação, Antonio Neto, receberam, nesta segunda-feira, em audiência no Palácio Guanabara, representantes do Sepe, para ouvir e manter o diálogo com o sindicato. Lamentavelmente, após a reunião, parte do grupo decidiu ocupar o Palácio. Irredutíveis, foram retirados do local pela segurança”. Ainda segundo a nota, “em seguida, grupos radicais desejosos do confronto chegaram à frente do Palácio com ações violentas e tentativas de invasão, chutando o gradil, jogando coquetéis molotov e atirando rojões”. O texto é encerrado informando que “esses grupos não estão interessados no diálogo e na democracia. Apenas apostam no caos”.

Os fotógrafos que acompanhavam o encontro no Palácio foram postos para fora. Um grupo de professores tentava permanecer e negociar com os policiais. A Rua Pinheiro Machado continua interditada nos dois dois sentidos. A CET-Rio e guardas municipais montaram um esquema para que os carros saíssem de marcha-ré.

Por volta das 19h30m, os manifestantes fecharam a Avenida Rio Branco, no Centro, e saíram em marcha em direção a Avenida Beira-Mar. O movimento repentino do grupo, que saiu correndo pela Rio Branco, pegou de supresa policiais militares que acompanham o protesto. Vários deles tentavam acompanhar a correria dos black blocs.

Os manifestantes passaram pela Rua das Laranjeiras e, assustados, donos de lanchonetes e gerentes de lojas departamento fecharam as portas dos estabelecimentos, apesar dos apelos de quem estava na passeata, pedindo para que não tivessem medo. Policiais militares fardados, identificados por números e letras, acompanham o protesto entre os jovens.

A concentração para a manifestação teve início às 17h, na Candelária. Os participantes seguiram pela Avenida Rio Branco, que ficou interditada por aproximadamente uma hora, complicando o trânsito. O grupo chegou à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, por volta das 18h50m. Eles também pedem a mudança dos integrantes da CPI dos Ônibus e a renúncia do governador Sérgio Cabral. O grupo se deslocou pelo Aterro do Flamengo e pela Rua da Glória.

A Polícia Militar acompanhou a movimentação desde o fim da tarde. Mais cedo, parte dos manifestantes passou pela Assembleia Legislativa e pelo Tribunal de Justiça.

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