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A Argentina é um país branco? Copa traz à tona história que o país tentou apagar

Hossam Hassan faz gesto contra o racismo durante partida contra a Argentina
O técnico do Egito, Hossam Hassan, recebe o cartão amarelo do árbitro François Letexier enquanto faz um gesto contra o racismo durante jogo contra a Argentina. Foto: Reuters/Paul Childs

Os episódios de racismo associados à Copa do Mundo levaram o tema ao centro do debate público na Argentina, onde ofensas antes tratadas como “piadas de torcida” passaram a receber atenção internacional. Para Miriam Gomes, professora e referência do movimento afro-argentino, o torneio tornou visível uma questão historicamente ignorada. “A Copa evidenciou uma questão que antes estava invisibilizada”, afirmou. Com informações do G1.

Gomes rejeita a ideia de que a Argentina seja o país mais racista do mundo, mas aponta a presença de preconceitos, estereótipos e racismo estrutural e institucional. O país construiu, desde a segunda metade do século XIX, uma identidade nacional baseada na imigração europeia, que apagou a presença histórica de negros e povos originários. A pergunta sobre raça entrou oficialmente no censo apenas em 2010; em 2022, o levantamento registrou 302.936 afrodescendentes e 1.306.730 indígenas.

Movimentos como o Identidad Marrón buscam confrontar essa invisibilização e ressignificar o termo “marrom”, usado por décadas de forma pejorativa, como afirmação das raízes indígenas e populares. O debate também ganhou espaço após declarações de autoridades, como a defesa da seleção argentina feita pela vice-presidente Victoria Villarruel em 2024, depois de uma música racista cantada por jogadores em uma transmissão de Enzo Fernández.