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A árvore que invadiu a mata atlântica e tem afetado até sapos

Morador do Quilombo Rio dos Macacos, na Grande Salvador, colhendo jaca. Foto: Raul Spinassé/Folhapress

A jaqueira, árvore invasora na mata atlântica brasileira, tem mostrado um impacto negativo no ecossistema local, especialmente no chão da floresta, um dos ambientes mais sensíveis e essenciais para a biodiversidade. Pesquisas recentes conduzidas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelaram como a presença da jaqueira afeta a fauna local, particularmente espécies de sapos, e altera a estrutura do solo.

Inicialmente, a hipótese sobre a morte de espécies estava ligada apenas à vegetação, mas os dados agora indicam que os efeitos também atingem animais e os microssistemas. O estudo realizado na Reserva Biológica Duas Bocas, no Espírito Santo, mostrou que a jaqueira diminui a diversidade do solo e altera a disponibilidade de recursos, como artrópodes e outros invertebrados essenciais para o ecossistema.

A presença dessa árvore leva ao empobrecimento do solo, com menor profundidade da serapilheira, o que afeta diretamente a retenção de umidade e a estabilidade do ambiente, dificultando a sobrevivência de espécies mais sensíveis. Essas mudanças no habitat geram efeitos em cascata, afetando a fauna local.

O estudo também revelou que, embora algumas espécies de sapos consigam persistir em áreas invadidas, como o sapo-cururuzinho (Rhinella crucifer), mais tolerante a ambientes alterados, outras, como a rãzinha-do-folhiço (Haddadus binotatus), enfrentam grande declínio. A espécie Proceratophrys schirchi, conhecida como sapo-de-chifres, é afetada indiretamente pela redução da serapilheira e pela diminuição dos artrópodes, fatores que comprometem a sua sobrevivência.