A “cidade perdida” que ressurgiu após 2 mil anos

Uma cidade portuária fundada no fim do século 4 a.C. durante as campanhas de Alexandre, o Grande foi identificada no sul do Iraque. Conhecida como Alexandria do Tigre, a antiga cidade permaneceu esquecida por séculos às margens do rio Tigre e agora volta ao centro dos estudos arqueológicos por sua relevância estratégica na Antiguidade.
As ruínas ficam em Jebel Khayyaber, próximo à fronteira com o Irã. Escavações revelaram um centro urbano planejado, com muralhas extensas e estruturas que indicam intensa atividade portuária. A cidade conectava rotas fluviais da Mesopotâmia a caminhos marítimos pelo Golfo Pérsico, integrando redes comerciais que alcançavam a Ásia Central e o subcontinente indiano.
A identificação ajuda a resolver um debate antigo sobre a localização de Charax Spasinou, mencionada em textos clássicos. Pesquisas iniciadas nos anos 1960 foram interrompidas por conflitos na região e só puderam ser retomadas a partir de 2014. A partir daí, arqueólogos confirmaram que a elevação no terreno escondia uma muralha com mais de um quilômetro de extensão.
O declínio da cidade ocorreu entre os séculos 3 e 4 d.C., quando mudanças ambientais alteraram o curso dos rios e afastaram o porto do litoral. Sem acesso direto às rotas navegáveis, a base econômica se enfraqueceu e a ocupação urbana foi abandonada. Estudos em andamento buscam mapear a cidade com mais precisão e entender seu papel no comércio de longa distância do período helenístico.
