A cidade que virou fantasma após crise mundial e pandemia

Japurá, distrito de Tabapuã, no noroeste paulista, reúne hoje ruas vazias, construções deterioradas e vegetação avançando sobre calçadas. A cerca de dez horas de carro de São Paulo, o lugar preserva vestígios de uma vila que cresceu ao redor de uma estação ferroviária inaugurada em 1911 e entrou em declínio com a crise do café, surtos de doenças e mudanças nos trilhos. Em seu auge, chegou a ter cerca de 3 mil habitantes.
A crise de 1929 atingiu a economia local dependente do café, reduzindo empregos e comércio. Em seguida, surtos de malária e febre amarela agravaram a situação, com relatos de 12 a 15 mortes por dia. Décadas depois, a estação foi desativada e o trecho retificado nos anos 1950, isolando definitivamente o distrito. A última moradora nativa, Ana Idalina Braz, conhecida como “dona Petita”, morreu em 2021.
Apesar do esvaziamento, Japurá recebe visitas de turistas e pesquisadores atraídos pelas ruínas ferroviárias. Há iniciativas para organizar a visitação e criar um pequeno museu na antiga casa de dona Petita. O distrito é um exemplo do colapso de núcleos urbanos que prosperaram à sombra dos trilhos e do café no interior paulista.
