Apoie o DCM

A cidadezinha onde quase todos têm o mesmo sobrenome

Andrelândia (MG)

Em Andrelândia, cidade histórica no sul de Minas Gerais, estima-se que cerca de 60% da população compartilhe o sobrenome Andrade. Esse fenômeno é resultado de séculos de história familiar, isolamento geográfico e endogamia social que delinearam o perfil da população local.

Fundada em 1755 por André da Silveira, a cidade cresceu em torno de um núcleo religioso e, no século XIX, tornou-se Vila Bela do Turvo. Só em 1930, a cidade ganhou o nome atual, Andrelândia, que significa literalmente “Terra de André”. Curiosamente, o nome não tem relação direta com o sobrenome Andrade, mas com o primeiro nome de seu fundador. A confusão surgiu mais tarde, quando a família Andrade passou a dominar o cenário local.

O sobrenome Andrade, de origem portuguesa e galega, chegou à região no início do século XIX, quando famílias migrantes se fixaram no Sul de Minas. A partir daí, alianças matrimoniais, propriedades rurais e o isolamento geográfico transformaram o clã em um verdadeiro império de parentesco. Com o declínio do ciclo do ouro, a terra virou o principal ativo econômico.

Os Andrades se tornaram grandes proprietários rurais, casando-se frequentemente entre si ou com outras famílias influentes como os Silveira e Arantes para preservar riqueza e poder local. Documentos e registros eclesiásticos indicam casamentos consanguíneos autorizados pela Igreja, uma prática comum entre as elites mineiras do período colonial.