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A cirurgia anal em um rei francês que mudou a história da medicina

O monarca Luís XIV da França, em pintura oficial

Luís XIV, o monarca francês conhecido como “Rei Sol”, sofria de uma dolorosa fístula anal resultante de seus excessos alimentares, falta de higiene e longas horas andando a cavalo. Seus médicos da corte, formados nas melhores universidades, tentaram tratamentos convencionais sem sucesso, forçando-os a recorrer a um barbeiro-cirurgião chamado Félix para uma solução radical.

Na época, procedimentos cirúrgicos eram realizados por barbeiros, profissão desprestigiada pela medicina tradicional. Félix pediu para praticar em internos de hospícios e soldados antes de operar o rei. Com instrumentos especiais e aplicações de vinho da Borgonha na ferida, o cirurgião obteve sucesso onde os médicos falharam, curando completamente o monarca.

O sucesso foi tão expressivo que cirurgias de fístula e hemorroidas viraram moda na corte francesa. Como recompensa, Félix recebeu terras, dinheiro e ingresso na nobreza. Ele ainda ousou pedir a regulamentação da profissão de cirurgião, até então subordinada aos médicos.

O rei, evitando confronto direto com a medicina, optou por regulamentar a profissão de barbeiro, proibindo-os de operar. Esta medida indiretamente consolidou a identidade dos cirurgiões como especialistas autônomos, levando décadas depois à criação da Academia Real de Cirurgia – tudo graças ao problema íntimo do Rei Sol.