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A descoberta que questiona a África como berço da humanidade

O fêmur de Graecopithecus sp, de Azmaka, Bulgária (à esquerda), em comparação com o de Lucy (Australopithecus afarensis) (ao centro) e o fêmur de um chimpanzé (à direita). O colo femoral (indicado em vermelho) é mais longo e aponta mais para cima nos ancestrais humanos Graecopithecus sp. e Australopithecus sp. do que no chimpanzé — Foto: Nikolai Spassov et al.

A descoberta de um fêmur na Bulgária tem obrigado cientistas a reavaliar a narrativa sobre a origem dos primeiros ancestrais humanos. O fóssil foi escavado no sítio arqueológico de Azmaka, próximo à cidade de Chirpan, e data de 7,2 milhões de anos. Segundo estudo publicado na revista Palaeodiversity and Palaeoenvironments, o osso pertence a um indivíduo do gênero Graecopithecus sp. e apresenta características compatíveis com a locomoção bípede.

“A morfologia externa e interna do fêmur apresenta semelhanças com fósseis de ancestrais humanos bípedes”, afirma o paleontólogo Nikolai Spassov, coautor do artigo. O osso pertencia a uma fêmea que pesava cerca de 24 kg e viveu em ambiente de savana. Caso confirmado como hominíneo, o Graecopithecus sp. pode anteceder o Orrorin sp., encontrado no Quênia e datado de 7 milhões de anos, deslocando a origem dos hominídeos da África para a Eurásia.

Os pesquisadores sugerem que mudanças climáticas no final do Mioceno, há entre 8 e 6 milhões de anos, podem ter impulsionado a evolução do bipedalismo na Eurásia. “Com 7,2 milhões de anos, este ancestral pode ser o humano mais antigo conhecido”, diz o antropólogo David Begun, coautor do estudo. O Graecopithecus sp. representaria um “elo perdido” entre ancestrais arborícolas e terrestres.