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A empresa fundada por um lorde britânico que completa 100 anos no Brasil

Vista aérea da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Foto: reprodução

A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) completa 100 anos com uma trajetória marcada por reinvenções. A empresa, que hoje atua como produtora de açúcar, etanol e energia com receita de R$ 1,6 bilhão, começou como um ambicioso projeto de colonização liderado pelo lorde britânico Simon Fraser, o Lord Lovat, e pelo engenheiro paulista Gastão Mesquita Filho.

A saga centenária, registrada no livro “De olhos abertos e pés no chão”, de Jorge Caldeira, começou com a compra de uma vasta área de terras no norte do Paraná, quase do tamanho da Escócia. O projeto inicial de plantar algodão fracassou, mas a visão se transformou em um modelo de loteamentos para pequenos produtores, com uma ferrovia para valorizar as propriedades.

A empresa enfrentou inúmeros desafios, incluindo a crise de 1929 e a proibição do plantio de café em 1931. “Não se pode jogar fora o passado, mas sempre é preciso olhar para a frente”, diz Gastão de Souza Mesquita, presidente da CMNP e neto do fundador. A companhia se adaptou a cada ciclo, superando até a pressão do governo britânico para vender o negócio durante a Segunda Guerra.

Após 15 anos, os investidores ingleses venderam a empresa pelo mesmo valor inicial, sem lucros. A CMNP seguiu se reinventando, migrando da colonização para o agronegócio, demonstrando a resiliência que a mantém como uma das empresas centenárias mais relevantes do país.