A estratégia de empresas para driblar impostos sobre carros

A volta dos carros movidos exclusivamente a etanol começa a ganhar espaço no mercado brasileiro. A Chevrolet lançou as versões Onix Eco e Onix Plus Eco, calibradas para funcionar apenas com álcool, algo que não acontecia em modelos de grande volume há mais de duas décadas. A estratégia está ligada aos incentivos fiscais criados pelo programa Carro Sustentável, dentro do Mover.
A nova categoria concede redução ou até isenção de IPI para veículos nacionais que atendam critérios de eficiência energética e baixa emissão de carbono. Como os modelos abastecidos exclusivamente com etanol recebem classificação mais favorável nos cálculos de emissões, a montadora conseguiu enquadrar versões turbo automáticas no benefício fiscal, reduzindo o preço final dos veículos.
Com isso, os novos modelos chegam ao mercado com valores próximos aos de versões básicas aspiradas, mesmo oferecendo motor turbo e câmbio automático. A diferença de preço em relação aos equivalentes flex pode chegar a quase 8%, tornando a estratégia uma alternativa para ampliar a competitividade dos automóveis produzidos no país.
Outras fabricantes também avaliam seguir o mesmo caminho. A Volkswagen já reconheceu interesse no segmento, enquanto a Stellantis testa tecnologias ligadas ao etanol há alguns anos. O avanço dos modelos movidos apenas a álcool é impulsionado pelos ganhos ambientais atribuídos ao combustível, embora especialistas ainda debatam possíveis impactos da expansão da produção sobre o uso de terras agrícolas.
