A independência que o Brasil esqueceu: Bahia celebra luta popular nesta quinta; entenda

O Dois de Julho, feriado que marca a Independência do Brasil na Bahia, celebra a expulsão definitiva das tropas portuguesas do estado, em 1823. A data ganhou novo alcance nacional com a sanção do projeto de lei 5.672/2025, de autoria do deputado federal Leo Prates (PDT), que torna Salvador a capital federativa do Brasil, de forma simbólica, nesta quinta-feira (02).
A festa tem como principais símbolos o Caboclo e a Cabocla, figuras associadas à participação popular na luta contra a colonização portuguesa. O cortejo tradicional sai do bairro da Liberdade com os carros das imagens e segue até o Largo do Campo Grande. Historiadores apontam que o desfile surgiu espontaneamente depois da vitória baiana; a estátua do Caboclo apareceu a partir de 1840, e a da Cabocla passou a representar Catarina Paraguaçu.
Com o tempo, as imagens também ganharam dimensão religiosa pela devoção popular e pela relação com simbologias presentes nos terreiros de candomblé. Hoje, fiéis costumam ir ao Campo Grande para pedir graças e fazer oferendas, principalmente de frutas. Para o historiador Fábio Batista Pereira, a data valoriza a presença de negros e indígenas no processo de independência: “É uma luta que continua muito presente, muito atualizada por cidadania plena: política, civil e social”.
