A lente criada por um brasileiro que promete mudar cirurgias de catarata

O pesquisador brasileiro João Marcelo Lyra, professor da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), desenvolveu a Galaxy, apresentada como a primeira lente intraocular com design óptico em espiral. O dispositivo mira a cirurgia de catarata e busca oferecer visão nítida em múltiplas distâncias, incluindo o campo intermediário usado em atividades como manusear smartphones, além de reduzir halos noturnos e perda de contraste.
A catarata opacifica o cristalino, a lente natural do olho, e compromete a visão de forma gradual. Dados da Sociedade Brasileira de Oftalmologia apontam 550 mil novos casos por ano no Brasil. A solução definitiva passa pela substituição do cristalino por uma lente intraocular artificial, mas modelos tradicionais ainda levam parte dos pacientes a relatar círculos brilhantes ao redor de luzes e dificuldade em perceber contraste, especialmente ao dirigir à noite.
Lyra liderou um grupo com especialistas em física óptica, computação e medicina, com apoio do Brazilian Artificial Intelligent Networking Medicine (Brain), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A equipe trocou o sistema difrativo convencional por um mecanismo refrativo em espiral e usou software de traçado de raios com inteligência artificial para distribuir a luz de forma mais suave no olho. Em testes realizados em 2022 com 15 pacientes na Fundação João Carlos Lyra, em Maceió, a lente apresentou foco contínuo de 35 cm a 70 cm, redução de 50% a 60% dos halos em comparação com lentes trifocais e sensibilidade de contraste de 94%, ante 80% dos modelos tradicionais. A tecnologia chegou ao mercado brasileiro em 2025, e a Uncisal afirma que já ocorreram quase 100 mil implantes no mundo, cerca de 10 mil deles no Brasil; por enquanto, o acesso fica restrito à rede privada porque o reembolso do SUS não cobre o custo do material.
