A mutação genética que a tragédia de Chernobyl deixou para as próximas gerações

Um estudo publicado em 2025 na Scientific Reports apontou que filhos de trabalhadores enviados à usina de Chernobyl após o acidente nuclear de 1986 apresentam pequenas mutações extras no DNA. A pesquisa divulgada pela revista Superinteressante analisou descendentes de pessoas expostas à radiação liberada na explosão do reator 4, no norte da Ucrânia. As alterações funcionam como uma marca genética da exposição sofrida pelos pais.
O acidente ocorreu na madrugada de 26 de abril de 1986, quando uma explosão destruiu parte da usina, então localizada na União Soviética. Bombeiros, soldados e civis atuaram na contenção do incêndio e na limpeza da área contaminada. Décadas depois, cientistas investigaram se a radiação recebida por esses trabalhadores deixou efeitos hereditários em seus filhos.
Para isso, foram sequenciados os genomas completos de 1.515 pessoas e de seus pais. Os pesquisadores compararam três grupos: 130 filhos de trabalhadores de Chernobyl, 110 filhos de operadores de radar militares alemães expostos à radiação e 1.275 pessoas sem histórico relevante de exposição parental. O grupo ligado a Chernobyl apresentou, em média, número maior de mutações agrupadas, alterações raras que surgem em bloco no DNA.
Essas mutações, chamadas de clustered de novo mutations, indicam que o material genético sofreu danos e foi reparado com pequenas falhas. O aumento foi de cerca de uma mutação agrupada extra por indivíduo no grupo de Chernobyl, sem associação com doenças. Os autores afirmam que a probabilidade de essas alterações provocarem problemas de saúde é mínima e destacam que fatores como a idade paterna têm impacto maior no total de mutações transmitidas.
