‘A Odisseia’ de Nolan estreia sob polêmicas sobre elenco, história e IMAX

O filme A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, estreou nos cinemas brasileiros na quinta-feira (16) cercado por debates nas redes sociais. A adaptação do poema épico atribuído a Homero acompanha Odisseu, ou Ulisses na tradição romana, e virou alvo de críticas pela escalação de Lupita Nyong’o como Helena de Troia. O blogueiro conservador Matt Walsh atacou a escolha no X e afirmou que “ninguém no planeta realmente acha que Lupita Nyong’o é ‘a mulher mais bonita do mundo’”. Elon Musk ampliou a discussão ao concordar com Walsh e dizer que Nolan “quer os prêmios”, em referência às regras de diversidade do Oscar, embora a Variety tenha destacado que os critérios incluem elenco, tema, liderança, equipe, programas de aprendizagem e desenvolvimento de público. Musk também retuitou postagens que zombavam da masculinidade de Eliot Page, escalado como Sínon.
A presença de Travis Scott como um bardo também gerou reação, já que o rapper tem poucos trabalhos como ator. Em entrevista à Time, Nolan disse que a escolha foi uma “referência à ideia de que essa história foi transmitida como poesia oral, o que é análogo ao rap”. Outra crítica mira a ausência de atores gregos no elenco. Em artigo no The Guardian, o crítico greco-britânico Chris Cotonou afirmou: “Nada de novo aqui. De Jasão e os Argonautas (1963) a Tróia (2004), Hollywood explora histórias gregas há gerações sem muita preocupação com a representação grega – a menos que isso se encaixe em um clichê”.
Historiadores, arqueólogos e parte dos fãs também questionaram elementos visuais do longa, como o uso de um navio viking em uma narrativa associada ao período micênico, entre 1600 a.C. e 1100 a.C. na Grécia. O filme ainda recebeu críticas pelos diálogos contemporâneos e pelo uso de sotaques americanos, enquanto Nolan afirmou que buscou uma linguagem com ressonância para o público atual. A produção é a primeira filmada inteiramente em IMAX 70 mm de película, mas apenas 41 salas no mundo podem exibi-la no formato idealizado pelo diretor; nenhuma fica no Sul Global. No Brasil, há 12 salas IMAX convencionais, distribuídas por oito estados, todas com projeção digital.
