A retomada do crescimento econômico corre riscos em 2018, diz economista
De Marcelo Gazzano na Folha.
A economia está se recuperando desde o começo do ano passado de uma das maiores recessões da história. Ela é, também, a mais lenta dentre as recuperações datadas pelo Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), ligado à FGV.
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Esta recessão trouxe uma mudança importante na composição da população ocupada, com queda no número de trabalhadores com carteira assinada e elevação do emprego por conta própria e sem carteira.
Como consequência, houve uma perda de três pontos percentuais no grau de formalização do mercado de trabalho, que entre 2003 até 2011 havia passado de 36% para 45% da população empregada.
A introdução do grau de formalização num modelo estatístico para explicar as vendas no varejo, que também conta com a taxa real de juros, a massa salarial real e os novos empréstimos para as famílias, eleva seu poder preditivo.
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O modelo também mostra que a propensão marginal a consumir é maior quando o indivíduo tem carteira assinada. O resultado, até certo ponto intuitivo, deve ser fruto das garantias que a formalização traz para o trabalhador.
Sem a possibilidade de um trabalho com carteira assinada, o indivíduo busca proteção contra o desemprego na informalidade, sustentando certo nível de consumo. Mas essa não é a situação desejada pelo trabalhador.
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Essa mudança no mercado de trabalho também tem consequência para a política fiscal. Foi sobretudo graças ao aumento da formalização que a carga tributária cresceu mesmo sem a elevação de impostos, o que não é possível com uma menor participação de trabalhadores com carteira assinada.
Essa recessão alterou significativamente a estrutura da economia, e é preciso ter cautela com conclusões que não levem tais efeitos em consideração.
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