Acirra-se a tensão entre China e EUA em torno de ilhas do Pacífico
A visita de rotina do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Pequim, para discutir a cooperação econômica bilateral, ganhou um interesse especial devido à escalada de tensões em torno de um grupo de ilhas no Mar da China Oriental – denominadas Diaoyu pelos chineses e Senkaku pelos japoneses.
Neste domingo (01/12), o político democrata inicia um giro pela Ásia Oriental que, além da China, inclui Japão e Coreia do Sul.
Pequim escolheu um momento delicado para unilateralmente declarar zona de defesa aérea sobre o arquipélago rochoso e inabitado, exigindo que as companhias aéreas lhe apresentem os planos de voo de todos os aviões que penetrem nessa região, que é administrada pelo Japão.
Em resposta, os EUA enviaram para lá, na última segunda-feira, uma dupla de bombardeiros do tipo B-52. Segundo o porta-voz do Departamento de Defesa americano, Tom Crosson, essa era “uma operação de treinamento longamente planejada”. Mas ficou claro também tratar-se de uma afirmação dos interesses americanos e um ato de desafio contra a superpotência emergente.
“Não acho que devamos subestimar a relevância deste assunto”, comenta Thomas König, coordenador do programa para a China do think-tank European Council on Foreign Relations (ECFR). “Pela primeira vez, a China bateu de frente com os Estados Unidos nessa região. Os chineses se deram conta de que agora são protagonistas mundiais, e estão testando as águas como nunca fizeram antes.”
O que está por trás de toda essa situação é o interesse renovado dos EUA pela região da Ásia-Pacífico, ainda complicado pelo comprometimento do país com a defesa do Japão. Em outras palavras: quaisquer tensões entre a Pequim e Tóquio inevitavelmente envolverão também os americanos, e isso intensifica o clima de paranoia já reinante entre as duas potências.
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