Acostumado com festas, Joesley agora divide cela sem banheiro na PF
Da Folha:
Enquanto planejava sua festa de casamento com a apresentadora Ticiana Villas Boas, em 2012, o empresário Joesley Batist deu uma ordem para a cerimonialista: seu nome viria antes do da noiva nos convites impressos.
Dias depois, disse que iria jogar uma bolsa Louis Vuitton para as convidadas como se fosse um buquê. A responsável por organizar a festa conseguiu demovê-lo da primeira ideia com o argumento de que “não era chique”, mas Joesley não abriu mão de lançar o acessório na festa que teve mil convidados.
Na época, o goiano era apontado como o símbolo do “novo empresariado brasileiro”. Arrojado e destemido, colhia os louros de ter transformado a JBS na maior processadora de proteína animal do mundo com a aquisição de grande empresas estrangeiras do setor, como Swift.
As compras porém, só aconteceram por causa dos aportes bilionários como os do BNDES, que injetou R$ 14,8 bilhões nos negócios de Joesley, e da Caixa Econômica Federal, que beneficiou o grupo com R$ 5,5 bilhões.
A generosidade dos órgãos federais com a empresa, que se expandiu para outras áreas sob o guarda-chuva da holding J&F, nunca teve explicação convincente até Joesley confessar em sua delação premiada que os benefícios estavam atrelados a pagamento de propina.
Até negociar o acordo, o vínculo com os políticos sempre foi motivo de orgulho do empresário, que, segundo ex-funcionários, gostava de falar que tinha relação com todos os partidos do Brasil.
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Um executivo relatou a Folha que conheceu o operador ao ser abordado na casa de Joesley em Angra, no verão de 2014. Antes de se apresentar, Funaro deu detalhes sobre os negócios do empresário, mostrando que sabia com quem estava falando e em que áreas poderia ajudar.
Além de levar amigos para a mansão em Angra, Joesley também os convidava para temporadas em seu iate em Saint Barth, no Caribe, e em seu apartamento de Nova York –onde se refugiou após assinar a delação– comprado de Nizan Guanaes.
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A chegada dele a Brasília nesta segunda (11), onde passará os próximos quatro dias preso, foi amplamente registrada. O seu jato particular Legacy, no entanto, foi substituído pelo avião da PF que busca presos.
Na superintendência da PF, ele divide cela, sem banheiro e com um cano de água fria, com o ex-funcionário da empresa Ricardo Saud, que também se entregou. Consigo trouxe apenas algumas roupas, produtos de higiene e um terço que beijou ao descer em Brasília.
