“Adeus netos”: O movimento das avós que não querem ser cuidadoras em tempo integral

O conceito de “avós ausentes” tem ganhado destaque nas discussões sobre envelhecimento no Brasil. Cada vez mais, avós estão se distanciando do papel tradicional de cuidadoras em tempo integral dos netos. Esse fenômeno reflete uma mudança na percepção sobre a velhice, em que muitos preferem manter sua autonomia e continuar com suas atividades pessoais. Especialistas apontam que essa resistência dos filhos em aceitar os limites dos pais reflete uma visão utilitarista da velhice, especialmente em relação às mulheres.
A oftalmologista Lúcia Loureiro, por exemplo, enfatiza que não se sente obrigada a desempenhar o papel de avó 100% do tempo. Ela prioriza sua carreira e vida pessoal, como sua mudança para os Estados Unidos, e esclarece: “Não me sinto apenas avó. Ajudo no que posso, mas não vou abrir mão da minha vida para assumir responsabilidades que não são minhas”. A ideia de estar sempre disponível para os netos tem sido repensada por muitos, que buscam um equilíbrio entre a convivência familiar e a liberdade pessoal.
Essa mudança de comportamento tem gerado discussões familiares. Avós, como Fátima Fernandes, defendem que a relação com os netos deve ser uma escolha e não uma obrigação. “Sempre disse aos meus filhos que não criaria os filhos deles. Sou avó, não faço papel de mãe”, afirma Fátima, destacando que sua vida agora é pautada pela liberdade e pelo prazer, não pela responsabilidade constante. Esse novo perfil de avós sugere uma redefinição do envelhecimento, onde o direito de escolher como viver essa fase é cada vez mais reconhecido.
