Adultos descobrem dívidas após terem CPFs usados na infância por familiares

Um levantamento da Junta Comercial do Rio de Janeiro revelou que 166 empresas no estado têm sócios com idades entre 2 e 16 anos. Muitos desses registros envolvem crianças que tiveram seus CPFs usados por familiares sem consentimento, ficando vulneráveis a dívidas milionárias ainda na infância.
Segundo a GloboNews, em alguns casos, dois irmãos de 8 e 9 anos, os menores aparecem como sócios de até quatro companhias diferentes. A jornalista Renata Furst descobriu que era sócia de empresas desde os 6 anos, quando cartas de cobrança por dívidas de empresas falidas começaram a chegar em sua casa.
A gerente de projetos Rafaella D’Avila descobriu aos 23 anos que tinha mais de R$ 2,5 milhões em dívidas, resultado de empréstimos feitos por sua mãe em seu nome. Histórias semelhantes também atingem pessoas como o analista de sistemas André Santos, que só soube aos 15 anos que estava registrado como sócio de uma empresa. Hoje, ele ainda enfrenta processos e dívidas que não contraiu.
Especialistas apontam que a legislação brasileira permite a inclusão de menores como sócios com autorização dos pais, mas não prevê mecanismos que evitem abusos. Na prática, muitos jovens se tornam responsáveis por dívidas trabalhistas e tributárias ao atingir a maioridade.
