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Advogadas que acolhem milhares de denúncias de Marielle também sofrem ofensas virtuais

Reportagem de Carina Bacelar no Globo.

Desde o último fim de semana, a caixa de e-mails das advogadas Evelyn Melo, Samara Castro e Juliana Durães não para de encher. De lá pra cá, o correio eletrônico do escritório que elas mantêm juntas desde o início do ano já recebeu cerca de 17 mil e-mails de desconhecidos denunciando ofensas postadas nas redes contra a vereadora Marielle Franco (PSOL). As três, atualmente, centralizam as ações em âmbito jurídico contra essas notícias falsas.

Na noite desta quinta-feira (22), elas conseguiram a primeira vitória na Justiça dentro do caso: uma liminar para que o Youtube removesse vídeos mapeados com calúnias contra a vereadora. Nos próximos dias, devem entregar as publicações de ódio reunidas nesses e-mails à Polícia Civil do Rio. Ainda pretendem mover ações contra redes sociais poderosas – como Twitter, Facebook e Instagram – para a retirada do ar dessas mensagens de ódio. Tudo isso só foi e será possível, observam elas, porque boa parte da web resolveu reagir a esses xingamentos.

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No dia a dia do trabalho, as três atuam por uma causa em comum: a igualdade de gênero. Se conheceram no Movimento da Mulher Advogada, frente ligada à Caixa de Assistência de Advogados do Rio de Janeiro (Caarj). O escritório formado e composto exclusivamente por Evelyn, Samara e Juliana defende mulheres em causas trabalhistas, eleitorais e empresariais. Em geral, contam, as clientes chegam ali depois de alguma decepção com advogados homens.

Nas redes sociais, elas exibem com orgulho o mote feminista.”Para as mulheres, é um duplo desafio ter seu próprio escritório: além de enfrentar as dificuldades comuns de se iniciar o projeto, ainda tem que enfrentar os preconceitos em relação à sua capacidade e sua competência”, diz uma postagem na página delas no Facebook.

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Marielle Franco na Câmara dos Vereadores do Rio (Foto: Renan Olaz/Câmara do Rio)