Cliente vira as costas para advogado que pediu ajuda em “tribunal do crime” do PCC

O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, afirmou que telefonou para o cliente José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como Boqueta, para pedir socorro enquanto criminosos o mantinham em um “tribunal do crime” em Cubatão, no litoral de São Paulo. Segundo o relato, Boqueta foi ao local, mas se recusou a interceder pela vida do advogado.
Boqueta morreu na quarta-feira (12) durante confronto com policiais militares na Operação Patrocínio Fiel, deflagrada após o sequestro. A Polícia Militar informou que apreendeu uma pistola calibre 9 mm com ele. Rafaell disse que defendia o homem em processos por porte ilegal de arma e ações contra o Estado, mas rompeu o contrato e renunciou à defesa dias depois do crime.
O sequestro ocorreu em 11 de junho, quando o advogado foi atraído à Vila Esperança sob a alegação de uma contratação profissional. Rafaell relatou que ficou em cárcere entre 19h e 1h da madrugada e sofreu tortura psicológica diante de cerca de 30 pessoas, algumas em videochamada. O Gaeco assumiu a investigação depois que ele denunciou o caso ao Ministério Público.
