Advogado sobre viúva de músico, após habeas corpus concedido aos militares: ‘Está em pânico’

Publicado em 23 maio, 2019 9:00 pm
Residents gather to watch the death scene investigation where Evaldo dos Santos Rosa, the driver of a family car, was killed by armed forces, in the Guadalupe neighborhood, Rio de Janeiro, Brazil, Sunday, April 7, 2019. Authorities say soldiers mistook the car driven by Santos Rosa for that of criminals and was hit by 80 shots fired by members of the armed forces. Rosa was killed and his wife’s stepfather wounded. Relatives say his wife, 7-year-old son and another woman were unharmed.(AP Photos/Fabio Teixeira)

Reportagem de Arthur Leal no Jornal Extra.

Decepção e preocupação. Assim definiu o sentimento André Parecmanis, advogado de parentes e das vítimas no caso do carro fuzilado em Guadalupe, em abril deste ano, quando o músico Evaldo Rosa e o catador de latas Luciano Macedo morreram. Após o fim do julgamento do Superior Tribunal Militar (STM), nesta quinta-feira, que decidiu que nove militares acusados de atirar mais de 200 vezes em direção ao carro da família naquela tarde de domingo, responderão em liberdade por tentativa de homicídio, duplo homicídio qualificado e omissão de socorre, conforme denúncia feita pelo Ministério Público Militar (MPM), e aceita pela Justiça Militar.

— Vemos com muita decepção e preocupação esta decisão. A liberdade dos militares coloca em risco sério a própria colheita das provas agora. As vítimas são pessoas humildes, e o STM teve uma oportunidade de protegê-los. Na verdade, os deixa ainda mais desprotegidos. Temos uma preocupação muito grande com essas pessoas – comentou Parecmanis.

Em contato com a reportagem, Luciana Nogueira, viúva de Evaldo Rosa, em poucas palavras se mostrou triste e não conseguiu se pronunciar. O advogado afirma que ela está muito abalada.

— É difícil dizer. Ela está extremamente abalada. Ela tinha esperança que eles (STM) garantissem uma proteção a ela e para a Dayana (esposa do catador Luciano Macedo), mas, infelizmente, agora ela está em pânico. Se ela passou mal durante a audiência enquanto eles estavam presos, imagina agora? — lamentou.

De acordo com o defensor, a família foi vítima duas vezes do poder público. Ele acredita que a decisão foi um equívoco da Corte. Anteriormente, outros três militares já tinham sido soltos.

— Pensar que a liberdade destes acusados não vai atrapalhar a investigação me parece um equívoco. É um grupo de 12 militares que fuzilaram pessoas inocentes, pobres, que não tinham proteção do estado e agora seguem desamparadas. O STM, o poder público, teve hoje (esta quinta-feira) uma excelente oportunidade de proteger essas vítimas, mas, ao contrário, as deixou ainda mais desprotegidas. Foram duas vezes vítimas do poder público. Quanto tiveram o carro alvejado, e agora, quando o estado entendeu prematuramente que os acusados devem ser liberados — concluiu.

Após a decisão da Corte do STM, a defesa das vítimas não poderá mais recorrer. Agora, apenas o Ministério Público Militar (MPM), pode fazer nova denúncia ao Superior Tribunal Federal (STF), que é o único órgão hierarquicamente acima do STM. No entanto, ainda não se sabe se o MP enviará novo documento. O alvará de soltura foi despachado na noite desta quinta-feira, assinado pela juíza federal da JM, Mariana Queiroz Aquino Campos.

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