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Advogados de Costamarques propõem à Lava Jato quebra do sigilo telefônico do próprio cliente

A coisa vai tomando ares de novela de Gabriel García Marquez, o inventor do realismo fantástico.

A defesa do empresário Glaucos da Costamarques pediu nesta segunda-feira (18) ao juiz Sergio Moro a quebra do sigilo telefônico do próprio cliente para “esclarecer” as negociações sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula em São Paulo.

O advogado alega a Moro que a quebra do sigilo telefônico de Costamarques pode solucionar o “episódio da noticiada devolução do valor recebido naquela transação imobiliária”, diz o UOL.

No primeiro depoimento em setembro deste ano, o empresário disse que [Roberto] Teixeira pediu que ele pagasse R$ 800 mil, em espécie, ao Instituto Lula.

Costamaques afirmou que foi procurado por Teixeira em 2011, por intermédio do seu primo Bumlai, a respeito da compra de um terreno em São Paulo, tido como um “bom negócio”.

Em função de entraves jurídicos, Teixeira disse que poderia liberar o terreno para que Costamarques fosse ao mercado procurar um novo comprador para a área em um período de seis meses. Mas, antes disso, Teixeira disse que já possuía um interessado. Tratava-se da DAG Construtora, que, por sua vez, gostaria de comprar o terreno em função de um desejo da empreiteira Odebrecht, como relatou a Sergio Moro o dono da empresa, Demerval Gusmão, outro réu no processo.

Costamarques, então, fez uma cessão do seu direito de compra do terreno para a DAG. Essa transação rendeu R$ 800 mil ao empresário, que tinha a intenção de pagar cerca de R$ 7 milhões pela área. Para a DAG, o preço giraria em torno de R$ 8 milhões. Dessa diferença, viria o ganho de Costamarques, que, segundo seu relato, apenas depois de ter assinado o contrato com a DAG soube que o terreno serviria ao Instituto Lula. 

O empresário relata ter sido cobrado por Teixeira do lucro obtido com a transação. Costamarques falou sobre isso com seu primo Bumlai. “Ele falou: ‘Não posso me indispor com esse pessoal. Faz isso por mim'”. O empresário, então, aceitou pagar a Teixeira, mas não o valor integral. Ele descontou o imposto sobre R$ 800 mil do lucro com a transação imobiliária e ofereceu R$ 650 mil.

Na petição desta segunda, o advogado de Costamarques apresentou um extrato bancário do período da negociação em abril de 2011. A defesa do empresário destaca o saque de R$ 650 mil, em espécie.