Como Afrodite se tornou uma das figuras mais controversas da história da arte

Afrodite, também chamada de Vênus pelos romanos, atravessa há cerca de 3.000 anos a mitologia, a arte e a cultura popular. A exposição “Afrodite: A Criação de uma Deusa”, no Museu Ashmolean, em Oxford, recupera as origens da divindade e as controvérsias em torno de suas representações. Associada ao amor, à sexualidade e à fertilidade, ela também teve caráter guerreiro e integrou narrativas sobre a fundação de Roma.
A mudança decisiva na forma de retratar a deusa ocorreu por volta de 350 a.C., quando Praxíteles criou a “Afrodite de Cnido”, considerada a primeira escultura grega de uma mulher inteiramente nua. A obra original se perdeu, mas cópias romanas, como a “Vênus Capitolina”, preservam sua referência. A pose, depois conhecida como “Vênus Pudica”, combinava nudez e gesto de recato, abrindo uma tradição que fez do corpo feminino objeto central de contemplação artística.
O modelo influenciou nomes como Botticelli, Rafael, Ticiano, Rubens, Velázquez, Manet e Modigliani, mas também provocou reações. Em 1914, a sufragista Mary Richardson atacou com uma faca a pintura “Vênus ao Espelho”, de Velázquez, na National Gallery de Londres. Nas últimas décadas, artistas como Beyoncé, Björk, Lady Gaga e Kylie Minogue retomaram a figura de Afrodite em novas leituras, inclusive como símbolo de empoderamento.
