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Como Afrodite se tornou uma das figuras mais controversas da história da arte

Pintura Vênus ao Espelho, de Diego Velázquez
Vênus ao Espelho, pintura de Diego Velázquez exposta na National Gallery, em Londres. Foto: Reprodução

Afrodite, também chamada de Vênus pelos romanos, atravessa há cerca de 3.000 anos a mitologia, a arte e a cultura popular. A exposição “Afrodite: A Criação de uma Deusa”, no Museu Ashmolean, em Oxford, recupera as origens da divindade e as controvérsias em torno de suas representações. Associada ao amor, à sexualidade e à fertilidade, ela também teve caráter guerreiro e integrou narrativas sobre a fundação de Roma.

A mudança decisiva na forma de retratar a deusa ocorreu por volta de 350 a.C., quando Praxíteles criou a “Afrodite de Cnido”, considerada a primeira escultura grega de uma mulher inteiramente nua. A obra original se perdeu, mas cópias romanas, como a “Vênus Capitolina”, preservam sua referência. A pose, depois conhecida como “Vênus Pudica”, combinava nudez e gesto de recato, abrindo uma tradição que fez do corpo feminino objeto central de contemplação artística.

O modelo influenciou nomes como Botticelli, Rafael, Ticiano, Rubens, Velázquez, Manet e Modigliani, mas também provocou reações. Em 1914, a sufragista Mary Richardson atacou com uma faca a pintura “Vênus ao Espelho”, de Velázquez, na National Gallery de Londres. Nas últimas décadas, artistas como Beyoncé, Björk, Lady Gaga e Kylie Minogue retomaram a figura de Afrodite em novas leituras, inclusive como símbolo de empoderamento.