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O que significa o rebaixamento da nota do Brasil por uma agência de classificação de risco

A agência de classificação de risco Standard and Poor’s rebaixou a nota do Brasil nesta segunda-feira, citando a “deterioração das contas públicas do país”.

A nota caiu para “BBB-“, a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento. Esta foi a primeira vez desde 2002, ano da primeira eleição de Lula, que uma das três principais agências de rating rebaixa a classificação do país.

O grau de investimento significa que um país é seguro para investidores e considerado bom pagador de seus compromissos. O Brasil conquistou o grau de investimento em 2008. No final de 2011, a Standard & Poor’s subiu a classificação do Brasil de BBB- para BBB, um degrau acima dentro do grau de investimento.

As agências Fitch e Moody’s também conferiram ao Brasil o grau de investimento. Agora, com anota BBB-, o país está no limite. Um eventual novo rebaixamento significaria a perda desse grau na avaliação da Standard & Poor’s.

“O rebaixamento reflete a combinação da deterioração fiscal, a perspectiva de que a execução fiscal continuará fraca diante de um baixo crescimento nos próximos anos, de uma capacidade reduzida para ajustar suas políticas antes das eleições presidenciais, e do ligeiro enfraquecimento das contas externas do Brasil”, disse a agência em nota divulgada nesta segunda-feira.

As agências de classificação de risco já foram criticadas por não terem alertado sobre os riscos da crise econômica mundial, em 2008. Na época, elas atribuíram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos que acabaram afundando bancos e investidores.

A S&P argumentou que o governo tem enviado sinais pouco claros sobre suas políticas, gerando implicações negativas para as contas fiscais e a credibilidade da política econômica.

O movimento já era esperado, mas surpreendeu pelo momento em que foi anunciado. A expectativa era que uma mudança viesse apenas depois das eleições de outubro, como havia indicado a própria a agência recentemente.

Na semana retrasada, os executivos da S&P fizeram verdadeira peregrinação no país, mantendo encontros com importantes figuras da equipe econômica — como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Para o governo, a decisão da agência foi “inconsistente” e “contraditória” com “a solidez e os fundamentos do Brasil”, como defendeu em nota o Ministério da Fazenda.

“Não procede a avaliação sobre a situação fiscal brasileira, levando-se em consideração que o país tem gerado um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos”, disse o Ministério da Fazenda em nota, ressaltando que o superávit primário do ano passado foi suficiente para reduzir o endividadmento público.

O rebaixamento acabou surpreendendo o governo, que não esperava esse movimento tão cedo. Segundo disse uma importante fonte da equipe econômica à Reuters, a avaliação era que a nova postura do governo, preocupado com a austeridade fiscal, havia convencido os técnicos da agência.

“Foi precipitado esse rebaixamento”, afirmou a fonte, acrescentando que não acredita que outras agências de classificação, como a Fitch e a Moody´s, possam seguir o mesmo caminho e piorar a nota do país agora.

Como o rebaixamento já era esperado, a decisão da S&P não deve trazer muita volatilidade aos mercados, na avaliação de economistas.

A S&P condicionou uma melhora da nota brasileira a “iniciativas políticas mais consistentes voltadas para o fortalecimento das contas fiscais” ou a uma “agenda de reformas mais proativa, que coloque o crescimento de médio prazo em uma trajetória mais forte”.

Para o analista Christopher Garman, diretor para mercados emergentes do Eurasia Group., a grande dúvida é sobre o que vai acontecer após as eleições.
“A decisão da Standard & Poor’s de rebaixar o Brasil antes da eleição acaba aumentando a probabilidade de que, depois do pleito, um eventual segundo governo de Dilma Rousseff venha a fazer um ajuste um pouco mais construtivo e amigável ao mercado”, avalia.

Saiba Mais: Reuters

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