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Agressividade das ruas e rotina intensa: os 29 anos de William Bonner no JN

William Bonner – Foto: Reprodução

William Bonner está de saída do Jornal Nacional após quase três décadas à frente da bancada, sendo 26 anos também como editor-chefe. A decisão foi amadurecida diante da pressão constante do cargo e da agressividade nas ruas em meio à polarização política. O jornalista já havia deixado claro que não queria atravessar mais um ciclo de eleição presidencial, como o de 2026. Entre suas queixas, revelou que a função lhe tirou a tranquilidade até para tarefas simples, como acompanhar o filho ao aeroporto ou ir a uma padaria sem ser abordado.

Sua rotina no comando do telejornal sempre foi intensa. Bonner chegava à redação do Jardim Botânico por volta das 11h, participava de reuniões com editores e correspondentes e, mais tarde, conduzia encontros internos com os repórteres, a quem chamava de “tropa”. Durante a tarde, Renata Vasconcellos assumia os plantões, enquanto ele ajustava o noticiário que iria ao ar. O âncora se preparava para o programa à noite, gravava chamadas e ajustava detalhes antes de entrar no estúdio.

O JN ia ao ar às 20h30 e durava em média uma hora, mas muitas vezes Bonner permanecia após o encerramento para reuniões de ajuste. A longa jornada, somada às cobranças e ao desgaste da função, marcou sua decisão de deixar o cargo. Em novembro, ele passa o bastão para César Tralli, que dividirá a bancada com Renata e assume a missão de manter a credibilidade do telejornal mais assistido do país.