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Água tem que ser racionada como em 2001, diz especialista

Maior autoridade brasileira na questão dos recursos hídricos e do abastecimento de água, o professor Benedito Braga foi eleito em 2012 o presidente do Conselho Mundial da Água, com sede em Marselha, na França.

Professor da Escola Politécnica da USP, ele se diz muito preocupado com a situação do sistema Cantareira, que nesta semana atingiu o pior índice de reserva de água, chegando a apenas 21,2% da capacidade total de fornecimento e armazenamento de água para a região metropolitana de São Paulo.

Segundo Braga, a situação é “gravíssima” e um racionamento de água é “iminente” e pode começar a qualquer momento em São Paulo.

Ele critica a lentidão da Sabesp, a empresa governamental que administra os recursos hídricos de São Paulo, na execução das obras que trariam água do Rio Juquiá para a região metropolitana, que estão dois anos atrasadas e devem ser entregues apenas em 2018 pelo governo de São Paulo.

Ph.D. pela Universidade de Stanford (EUA) e responsável pelos fóruns da ONU sobre a água nas reuniões de Haia e Kyoto, Benedito Braga defende a adoção em São Paulo e no Brasil de políticas mais duras para combater o desperdício em São Paulo.

“Precisa passar uma lei [na Câmara Municipal] autorizando a municipalidade a multar a pessoa que desperdiça. Como foi feito na época do apagão elétrico, em 2001. Naquela época, o brasileiro era limitado a gastar energia com o máximo de 400 kWh por mês. Se você gastasse mais, eles cortavam a sua energia por uma semana. Funcionou (…) É preciso algo semelhante também para limitar o consumo de água”, diz.

Para ele, as pessoas da região Sul e Sudeste “não dão a importância que a palavra água tem, como os moradores do Nordeste”.

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