Alckmin e Haddad defendem planejamento para lidar com haitianos vindos do Acre
Geraldo Alckmin e Fernando Haddad defenderam na manhã de terça-feira, 29, o planejamento como a melhor forma de receber os imigrantes haitianos. Alckmin se referiu à vinda de imigrantes organizada pelo governo do Acre como “despejar pessoas”, enquanto Haddad disse que durante anos o Acre recebeu os refugiados haitianos sozinho.
As declarações foram feitas após inauguração de um túnel do Complexo Viário Polo Itaquera, na zona leste da cidade, na qual o governador e o prefeito estavam presentes.De acordo com o governador, a secretária estadual de justiça, Eloisa Arruda, e o ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, se encontrarão nos próximos dias para discutir a vinda e a situação dos haitianos na cidade.
“São Paulo é terra cosmopolita que recebe a todos e tem imigrantes do mundo inteiro, mas precisa ter planejamento. Não pode é despejar pessoas de forma desumana, sem ter um local adequado para ficar, sem estar preparado para recebê-las”, disse Alckmin.
“O Acre há muito tempo vem acolhendo essa imigração em virtude dos desastres que ocorreram no Haiti e que representaram um problema humanitário de enorme complexidade. O Acre vem fazendo esse papel quase que isoladamente e agora o Brasil contribui”, afirmou Haddad. “A única coisa que pedimos é que nós possamos nos organizar, tendo previsibilidade sobretudo para não onerar as Ongs que trabalham nesse tipo de acolhimento”.
Na segunda-feira, 28, o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili, fez a primeira crítica municipal à forma como o governo do Acre tem enviado os imigrantes, ao dizer que São Paulo se tornou local de “despejo” para os refugiados.
As declarações aconteceram depois de uma semana de troca de farpas entre lideranças políticas. A gestão Alckmin acusou o Acre de ser “irresponsável” por não avisar sobre o envio dos refugiados. O governador do Acre, por sua vez, vem dizendo que a “elite paulista” não quer os haitianos por “preconceito”.
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