Algoritmo das redes pode agravar tristeza e expor usuários a conteúdo nocivo; entenda

Uma análise de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) indica que algoritmos das redes sociais identificam sinais de tristeza e passam a recomendar mais conteúdos sobre vulnerabilidade emocional. O estudo examinou mais de 8 mil vídeos do TikTok e concluiu que pouca interação já pode influenciar 45% das recomendações diárias recebidas por um usuário.
A permanência diante de vídeos sobre um término, conflito ou outro sofrimento funciona como sinal para a plataforma, mesmo sem uma busca direta. Com isso, a sequência de recomendações pode incluir positividade tóxica, autodiagnósticos sem base científica, desinformação sobre tratamentos e, em casos extremos, materiais sobre suicídio e automutilação. No 40º vídeo de navegação, entre 98,5% e 100% das contas engajadas no levantamento já tinham recebido ao menos um conteúdo potencialmente nocivo.
O pesquisador Renato Gallo, do Instituto de Psiquiatria da USP, afirma que o usuário pode encontrar confirmação para sua dor e passar a ruminar o problema. Para reduzir a exposição, especialistas recomendam adotar uma postura crítica diante dos vídeos, buscar atividades fora do ambiente virtual, como exercícios e encontros com amigos, e criar barreiras ao acesso aos aplicativos, com bloqueios por horário ou exigência de senha.
