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Alimentação e saúde pesam mais no bolso dos idosos; entenda

Romildo Sabino, aposentado de 74 anos
Romildo Sabino, aposentado de 74 anos. Foto: Reprodução

O envelhecimento muda a cesta de consumo e tem pressionado o orçamento dos brasileiros com mais de 60 anos, especialmente em alimentação, saúde, mobilidade e cuidados dentro de casa. Aos 74 anos, Romildo Sabino voltou ao mercado de trabalho para complementar a aposentadoria depois de ver a alimentação passar de cerca de 30% para 60% das despesas do lar que divide com a mulher.

O peso maior não vem apenas de um carrinho mais cheio, mas da troca por itens ligados à longevidade, como alimentos in natura, laticínios, produtos com propriedades especiais e suplementos. O IPC-3i, índice do FGV Ibre para famílias compostas majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos, mostra essa diferença: em junho, enquanto a alimentação caiu 0,24% no IPCA, subiu 0,56% no indicador da terceira idade. Em 12 meses, os alimentos avançaram 4,81% para esse grupo, contra 3,82% no IPCA.

Plano de saúde, medicamentos, cuidadores, empregados domésticos, táxi e carro por aplicativo também pesam mais na renda dos idosos. “Toda aposentadoria do INSS acima do mínimo é corrigida só pela inflação passada. E a gente sabe que as principais despesas do idoso sobem mais do que a inflação passada. Então ele acaba vendo a inflação gradualmente comer seu poder aquisitivo”, avalia André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre.

Na área da saúde, o estudo Economia Prateada no Brasil, da consultoria Data8, aponta que pessoas com 50 anos ou mais responderam por 35% do consumo de produtos e serviços de saúde no país em 2024, fatia que deve chegar a 43% até 2034. O impacto aparece também nas famílias: Maristela da Mota, de 63 anos, paga R$ 1.800 por mês a uma cuidadora e reserva R$ 1.200 para medicamentos da mãe, Maria da Glória, de 92 anos, que tem Alzheimer.