Alma gêmea existe? O que diz a ciência

A ideia de alma gêmea atravessa séculos, da mitologia de Platão às histórias de William Shakespeare, passando pelo amor cortês medieval e pelos roteiros de Hollywood. Mas a ciência questiona se existe mesmo alguém predestinado para cada pessoa ou se o amor duradouro depende de outros fatores.
Para Viren Swami, da Anglia Ruskin University, a noção moderna de amor exclusivo se consolidou na Idade Média. Ele afirma que, com a industrialização e o enfraquecimento dos laços comunitários, cresceu a expectativa de que uma única pessoa pudesse “salvar” o indivíduo.
Já Jason Carroll, da Brigham Young University, distingue destino de construção: a “alma gêmea” seria encontrada pronta; a “pessoa certa”, construída com adaptação, pedidos de desculpa e esforço contínuo. Estudos do psicólogo C. Raymond Knee indicam que quem acredita em “crenças no destino” tende a duvidar do relacionamento diante de conflitos, enquanto adeptos das “crenças de crescimento” mantêm maior compromisso.
Outras áreas reforçam a tese de que não há um único par predestinado. O economista Greg Leo, da Universidade Vanderbilt, criou um modelo matemático que aponta múltiplas combinações compatíveis. Já a socióloga Jacqui Gabb, da The Open University, mostrou que relações duradouras se sustentam em pequenos gestos cotidianos. O consenso entre pesquisadores é que o romantismo pode existir, mas ele se apoia menos em destino e mais em construção diária.
