Almirante condenado pela Lava Jato desenvolveu o projeto do submarino nuclear

A jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, entrevistou o almirante Othon Pinheiro da Silva, que foi presidente da Eletronuclear e comandou, quando ainda estava na Marinha, as pesquisas que levaram o Brasil a dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, pelo processo de ultracentrifugação. Na Lava Jato, foi preso e condenado, acusado de cobrar propina sobre contratos da Andrade Gutierrez, denunciado por diretores da empresa. Nesta entrevista, ele diz que houve interesse em desmoralizá-lo e tirá-lo do projeto nuclear brasileiro — Othon diz que é contra o desenvolvimento da bomba atômica. Seu sonho era colocar para funcionar o submarino nuclear, essencial na estratégia para a proteção da costa brasileira (onde tem o pré-sal). Não conseguiu. Mas o projeto está pronto e é viável. Leia duas das respostas de Othon.
O senhor diz que sua prisão interessa ao sistema internacional. Que evidência tem disso?
Como começou tudo isso? Num depoimento que o presidente de uma empreiteira fazia sobre um contrato com a Petrobras.
Ele mencionou que ouviu dizer algo sobre o presidente da Eletronuclear estar de acordo com um cartel.
Isso serviu de pretexto para os camaradas vasculharem a minha vida desde garoto. Havia um direcionamento.
Mas haveria um comando externo nas investigações?
Não comando, mas influência forte, ideológica. Não posso provar mas tenho um sentimento muito forte. Houve interesse internacional.
E por que haveria interesse internacional em sua prisão?
Porque tudo o que eu fiz [na área nuclear] desagradou. Qual o maior noticiário que tem hoje? A Coreia do Norte e suas atividades nucleares. A parte nuclear gera rejeição na comunidade internacional.
E o Brasil ser potência nuclear desagrada. Disso eu não tenho a menor dúvida.
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PS: Othon já tinha dado entrevista no mesmo teor à Revista Carta Capital.
