Aloysio Nunes lamenta que os EUA não tenham ideias de como intervir na Venezuela
O sumido Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, deu entrevista à Bloomberg lamentando que os EUA não intervenham na Venezuela. Sim, você leu direito.
“Não vamos construir um muro”, disse Nunes. “É uma situação preocupante, mas ainda não é caos, ainda não é uma catástrofe”, disse ele.
À medida que a crise política e econômica da Venezuela se aprofundou, o país se viu cada vez mais isolado na região. Seu recente anúncio de planos para realizar eleições presidenciais em 22 de abril suscitou uma repreensão do chamado Grupo Lima e levou o Peru a retirar o convite ao presidente Nicolas Maduro para participar da Cúpula das Américas deste ano. Maduro disse na quinta-feira que ele freqüentaria a cúpula de qualquer maneira.
Nunes descartou a idéia de se recusar a reconhecer os resultados das eleições. “Não reconhecer não tem significado legal ou prático”, disse ele. “Nós vamos precisar de algum tipo de canal humanitário”.
O ministro das Relações Exteriores brasileiro reconheceu que Maduro ainda parecia ter níveis significativos de apoio entre os militares venezuelanos e recusou-se a se basear em como a crise poderia surgir.
“Haverá um colapso? Será que haverá uma transição? Se houver uma transição quem irá negociar? Não há como prever”, disse. O papel potencial do Brasil como mediador entre o governo e a oposição havia sido descartado pela administração Maduro, acrescentou.
Nunes também lamentou a falta de idéias do Departamento de Estado dos EUA sobre como enfrentar a crise, dizendo que o país poderia fazer mais para pressionar os apoiadores de Maduro na Organização dos Estados Americanos.
“Os EUA não sabem o que fazer na América Latina”, falou.

