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Por que escalar montanhas gigantes ficou ainda mais perigoso

Monte Huascarán, montanha mais alta do Peru
Huascarán, montanha mais alta do Peru – Foto: Pexels

Os alpinistas Freddy Mendoza, Alejandro Ugarte e Artidoro Salas estão desaparecidos há mais de uma semana no Huascarán, montanha mais alta do Peru, depois de perderem contato em “La Garganta”, trecho entre o Acampamento 1 e o Acampamento 2, a cerca de 6 mil metros de altitude, em Áncash. Na manhã do dia 14, um deles conseguiu ligar por celular e avisou que o grupo estava perdido. A Força Aérea Peruana anunciou o envio de um helicóptero MI-17 e de uma brigada de busca e resgate com 12 pessoas, enquanto familiares pedem apoio nas redes sociais.

As buscas enfrentam temperaturas que podem chegar a -15°C, fendas e terreno glacial instável. Especialistas ouvidos pelo El Comercio afirmam que o aquecimento tem enfraquecido as geleiras da Cordilheira Branca: Wilson Alfredo Suárez Alaiza, do Senamhi, explicou que a isoterma de 0°C, antes entre 4.600 e 4.700 metros, agora fica entre 4.900 e 5.000 metros, o que reduz a coesão do gelo. Luzmila Dávila, do Inaigem, disse que o Huascarán perdeu áreas antes consideradas seguras e que o instituto registrou oito avalanches significativas na montanha neste ano.

O Huascarán registrou outro acidente recente em 16 de julho, quando uma avalanche em La Canaleta matou um carregador e feriu um turista indiano a cerca de 5.500 metros de altitude. O gerente regional de Gestão de Riscos de Desastres de Áncash, Gastone Rafael Macedo Menacho, disse que o clima reduziu a visibilidade e interrompeu voos de busca ao meio-dia, e reconheceu a falta de regras específicas para expedições: “infelizmente, não temos protocolos elaborados para esses casos. Portanto, estamos propondo um grupo de trabalho com as diversas entidades para desenvolver essas diretrizes”.