Alstom pagava propina a presidente e diretores de estatal, diz ex-executivo
Gerson Kozma, ex-diretor administrativo da Empresa Paulista de Transmissão de Energia, EPTE, afirmou em depoimento à Polícia Federal que ouviu nos corredores da extinta estatal que a multinacional francesa Alstom pagava propina para o presidente da EPTE, o diretor técnico, o diretor financeiro, bem como para funcionários da área técnica.
Seu depoimento foi um dos principais elementos que levaram o Ministério Público Federal a denunciar na sexta-feira à Justiça Federal, por corrupção passiva, o ex-presidente da companhia, José Sidnei Colombo Martini, e o ex-diretor técnico Celso Sebastião Cerchiari. Ambos são acusados de receber R$ 4 milhões, em valores atualizados, para atuar para que um contrato com a Alstom fosse prorrogado e a garantia dos equipamentos fornecidos fosse estendida.
Segundo a Procuradoria, a Alstom ofereceu propina de R$ 23,3 milhões (valores atualizados) a funcionários públicos do Estado entre 1998 e 2003, nas gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.
Gerson Kozma também afirmou à PF que José Sidnei e Cerchiari “viajaram com as despesas custeadas pela Alstom”.
José Sidnei, que hoje é professor da USP e prefeito da cidade universitária, e Cerchiari, diretor de operações da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista – concessionária privada responsável transmissão de energia no Estado – são os únicos dois agentes públicos denunciados.
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