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Aluno negro é esfaqueado por colega adepto do nazi-fascismo em escola de São Paulo

Reportagem de Eduardo Ribeiro com Marie Declercq na Vice.

Alunos da Escola Estadual Profa. Zuleika de Barros M. Ferreira, na Vila Pompeia, em São Paulo, protestaram nesta terça (27) pela manhã contra o que chamam de descaso da direção da escola e da polícia diante da presença ameaçadora de um aluno adepto do nazismo. Segundo o pai de uma aluna, que pediu para não ser identificado, um rapaz chamado Otávio Cavalcanti, de 19 anos, matriculado no terceiro ano do ensino médio, atacou com estilete dois colegas, que sofreram ferimentos no pulso e no ombro.

O caso, que ocorreu na manhã desta segunda (26), foi motivado por uma discussão sobre racismo. “A confusão começou porque um amigo de classe desse Otávio, que é negro, foi contestar as ideias neonazistas dele”, conta o pai. “Aí o cara se enfezou e esfaqueou ele no braço, e feriu outro que veio apartar.” O aluno atacado no braço, de 17 anos, foi socorrido no pronto-socorro da Barra Funda.

O pai conta que a coordenação chamou a polícia, mas que, ao invés de ajudar, os policiais acabaram agredindo os três garotos.

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Uma nota de esclarecimento pública afirma: “A direção procurou tomar as medidas disciplinares e pedagógicas possíveis, não apenas no caso do aluno envolvido nesta ocorrência, como também em outras ocasiões, na confiança de que o diálogo e a conscientização sejam as principais ferramentas para combater o racismo, bem como outras manifestações de intolerância que delas se derivam. Infelizmente, tais medidas não surtiram os efeitos esperados, e a situação saiu de controle, refletindo na agressão física vivenciada nesta manhã. Trata-se de uma situação inesperada, que toda pessoa sensata reconhece que não deveria ocorrer em qualquer situação, muito menos dentro do espaço escolar.”

Os alunos da escola relataram que Otávio já foi visto desenhando símbolos nazistas em lousas, fazendo pixações nos muros e apologia à Ku Klux Klan. No Facebook, apuramos que ele seguia as páginas Palmeiras Anti-antifa, Rock Against Comunism, Orgulho de ser Branco e Grêmio FBPA – Anti Antifa. Até a publicação desta matéria, porém, Otávio editou o seu perfil e deixou de segui-las.

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Fachada da escola Zuleika de Barros. Imagem via Google Maps.