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Amazônia pode ter abrigado até 3 milhões de pessoas antes da chegada dos europeus

Mapa da área analisada por pesquisadores no sudoeste da Amazônia
Mapa da área de estudo no sudoeste da Amazônia, com partes do Acre, Amazonas, Rondônia, Bolívia e Peru. Foto: Reprodução

A Amazônia pode ter abrigado entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas entre os anos 100 e 300, antes da chegada dos europeus. A estimativa integra um estudo publicado nesta quarta-feira (29) na revista “Nature”, que aponta uma ocupação organizada e muito mais numerosa do que a hipótese anterior de pequenos grupos dispersos.

Pesquisadores analisaram cerca de 183 mil quilômetros quadrados no sudoeste amazônico, principalmente no Acre e também em áreas do Amazonas, de Rondônia, da Bolívia e do Peru. Com a tecnologia LiDAR, que usa pulsos de laser lançados por aeronaves para mapear o solo sob a floresta, a equipe percorreu 4.430 quilômetros de voos e encontrou 432 estruturas de terra; somente 36 delas já eram conhecidas.

Os vestígios incluem geoglifos, aterros, caminhos e recintos monumentais. Ao combinar os dados do escaneamento com imagens de satélite e levantamentos anteriores, o estudo calculou que a região pode reunir de 24 mil a 30 mil estruturas arqueológicas, dois terços delas associadas ao povo chamado de Aquiry pelos autores. “Todas essas estruturas parecem ter servido como centros públicos, cerimoniais e políticos para visitantes convidados, sem ocupação permanente ou estruturas defensivas”, afirma a pesquisa.