Analistas veem ‘cálculo eleitoral’ e ‘afinidade ideológica’ em encontro de Dilma com papa
Dilma terá uma audiência privada no Vaticano nesta sexta-feira com o papa Francisco, que analistas ouvidos pela BBC veem como uma ação “de olho no eleitorado”, além do natural aspecto religioso do encontro.
David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UNB), vê o encontro como um compromisso “protocolar” entre chefes de Estado (o papa chefia o Estado do Vaticano), mas reconhece que a grande exposição do evento na mídia “cai bem na campanha eleitoral”.
Trata-se do terceiro encontro de Dilma com o pontífice em menos de um ano, o que poderia também ser visto como um sinal de que a presidente estaria investindo em uma aproximação ou algum tipo de relação especial com o líder da Igreja Católica.
Os especialistas consultados pela BBC Brasil não acreditam que haja uma estratégia planejada neste sentido, mas reconhecem benefícios importantes para o governo de uma associação com a imagem e a ideologia de Jorge Bergoglio – nas palavras de Fleischer, “um papa proativo, um papa ativista que se envolve em questões sociais” e que tem notadamente conquistado popularidade em vários cantos do mundo.
O sociólogo britânico Paul Freston, que pesquisou a religião no Brasil e leciona nas áreas de sociologia da religião, religião e globalização, e religião e política na Wilfrid Laurier University no Canadá, diz achar “natural que um presidente do PT queira ganhar algum reforço ao tentar consolidar um pouco o voto católico”.
“As posições que ele tem tomado na área econômica são simpáticas ao partido de Dilma”, diz Freston, citando temas abordados com contundência – até então incomuns em um líder da Igreja Católica – pelo papa Francisco, como “a crise econômica global, desigualdade social, imigração na Europa e o peso moral da riqueza”.
Um representante do Planalto disse à BBC Brasil que, de fato, “há uma grande afinidade de posições” entre os dois líderes, e que as “prioridades na área social humanitária” demonstradas desde o início da gestão papal “coincidem com muitas prioridades do Brasil, entre elas o combate à pobreza e o fim das discriminações”.
Mas o representante disse que o pedido por uma audiência com o papa se deu “por duas razões: para agradecer e retribuir a visita ao Brasil no Encontro Mundial da Juventude (no Rio, em junho de 2013), e para prestigiar a escolha de um novo cardeal brasileiro (o arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani Tempesta, que receberá a nomeação no sábado, no primeiro dia do Consistório para a Criação de Novos Cardeais)”.
Dilma chega a Roma por volta do meio dia (hora local, 08h00 em Brasília) e deve se encontrar com o papa à tarde. No sábado pela manhã ela acompanha o Consistório que “criará” o cardeal Dom Orani Tempesta e no domingo ela segue para Bruxelas, onde participa da sétima Cúpula Brasil-União Europeia.
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