Apoie o DCM

Antártida vive crise de poluição causada por turismo de luxo

Cruzeiro com piscina próximo à Antártida. Foto: reprodução

A Antártida enfrenta uma crise ambiental sem precedentes devido ao boom do turismo de luxo, revela estudo publicado na Nature Sustainability. O número de visitantes saltou de 44 mil em 2017 para mais de 120 mil em 2024, segundo a Associação Internacional de Operadores de Turismo da Antártida (IAATO). Navios com suítes sofisticadas, spas e restaurantes gourmet operam com combustíveis fósseis que liberam metais pesados como níquel, cobre e chumbo na atmosfera polar.

Cientistas da Universidade de Groningen calcularam impactos alarmantes: “Um único turista pode contribuir para acelerar o derretimento de cerca de 100 toneladas de neve”, explicou Raul Cordero, coautor do estudo. Partículas poluentes escurecem a neve, reduzindo sua capacidade de refletir luz solar e intensificando o degelo. Bases científicas têm impacto até dez vezes maior que turistas individuais.

Além da poluição, há riscos biológicos críticos. Dana Bergstrom, ecologista especializada, alertou: “Uma espécie invasora de gramínea se estabeleceu nas Ilhas Shetland do Sul, enquanto a gripe aviária devastou focas em ilhas subantárticas”. Sementes e patógenos chegam por meio de roupas e equipamentos de visitantes.

A IAATO impõe limites de 100 pessoas por desembarque e protocolos de esterilização, mas a temporada 2023-2024 bateu recordes históricos. Especialistas pressionam por transição energética em navios, restrições turísticas mais duras e atualização do Tratado da Antártida de 1959. O continente concentra 60% da água doce global e regula sistemas climáticos planetários.