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Antes de intervenção, estado do Rio reduz investimento em segurança a quase zero

Reportagem de Carina Bacelar e Fábio Teixeira no Globo.

Apesar da situação caótica na Segurança Pública, que em fevereiro deste ano resultou na intervenção federal, o Rio é o sexto estado do país em gastos per capita no setor. Por morador, foram R$ 599,73 em 2017. É menos do que Minas Gerais, que ficou em primeiro no ranking, e mais do que São Paulo, que ficou em 12º lugar e, mesmo assim, teve uma taxa de letalidade de 11 mortes para cada 100 mil habitantes em 2016, contra os 37,6 do Rio. Um raio X das despesas revela, para especialistas, erros da gestão fluminense. Dados levantados pelo GLOBO, a partir do Portal de Transparência do Rio, mostram que a função segurança consumiu R$ 9,9 bilhões em 2017, mas apenas 0,14% desses recursos foram para investimentos. Enquanto isso, a folha de pessoal não para de crescer.

Para se ter uma ideia, o efetivo da PM antes de começar a série de contratações, a partir de 2010, era de 38 mil homens. Atualmente, a corporação tem 44.276 agentes, 16,5% a mais, embora ainda exista um déficit calculado em cerca de 15 mil. Já a despesa com pessoal mais que quadruplicou: subiu de R$ 2 bilhões, em 2007, para R$ 8,23 bilhões.

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Os dados per capita foram levantados pelo GLOBO e usam como base relatórios enviados pelos estados à Secretaria do Tesouro Nacional. Além de Minas Gerais (que desembolsou R$ 777,12 por habitante), o valor fluminense ficou abaixo do aplicado em Roraima (R$ 762), Acre (R$ 682,71), Mato Grosso (R$ 662,00) e Mato Grosso do Sul (R$ 630,23). São Paulo, por sua vez, gastou R$ 454,62 por pessoa. Para Gil Castello Branco, secretário-geral do Contas Abertas, a dificuldade em arcar com o custo da segurança não é só do Rio, mas de todos os estados:

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Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Foto: Wikimedia Commons