“Apaguei tudo”: excluir dados após demissão é satisfatório, mas perigoso para o trabalhador

Um comportamento tem ganhado destaque nas redes sociais: ex-funcionários que apagam arquivos e dados corporativos após serem demitidos. Relatos como “Apaguei tudo” e “Apaguei as senhas de tudo” viralizam no X, muitas vezes em tom de desabafo ou vingança pela demissão. A prática, que pode parecer uma simples reação de frustração, pode causar graves consequências jurídicas e profissionais.
Especialistas em recursos humanos explicam que o impulso nasce de uma percepção pessoal do desligamento. “A ‘vingança’ costuma ser uma reação impulsiva, nascida da frustração, do sentimento de injustiça e da perda de controle”, afirma Tiago Santos, vice-presidente da Sesame HR. Ele alerta que a exposição desses atos nas redes pode ser vista como falta de maturidade e prejudicar a reputação do profissional no mercado.
Do ponto de vista legal, a conduta é considerada grave. “Se os arquivos pertencerem à empresa, o ato pode gerar responsabilidade civil e até criminal, caso se comprove a intenção de causar prejuízo”, explica o advogado trabalhista Luís Gustavo Nicoli. A ação pode ser enquadrada como crime de dano ou invasão de dispositivo informático, conforme o Código Penal e a Lei Carolina Dieckmann.
Para as empresas, a solução está na prevenção. Especialistas recomendam a implementação de backups automáticos, contratos claros sobre a propriedade dos dados e protocolos de desligamento bem definidos. Para os profissionais, a orientação é buscar apoio para lidar com a frustração, evitando reações impulsivas que possam fechar portas no futuro.
eu quando me demitiram do nada kkkkkkk apaguei as senhas de tudo e era a única q tinha anotado, apaguei planilha, programação, contrato, contatos, me mandaram uma notificação extra judicial e quando o advogado me ligou falei q n podia fazer nada pq já tava perdido pic.twitter.com/KMO56h4YAH
— 🪽 (@bluejugglingg) October 22, 2025
