Após mais de 90 dias, PF lembra que não tem acesso a um dos sistemas da Odebrecht
A perícia dos sistemas da Odebrecht pela PF está em xeque, diz o Paraná Portal. Após mais de 90 dias de perícia dos sistemas, com o prazo de entrega dos resultados para vencer, os “peritos” da Polícia Federal descobriram que não têm acesso ao sistema.
Ou seja, após as últimas denúncias sobre as condições altamente suspeitas em que se deu essa perícia (e a entrega dos HDs) a PF descobriu que não descobriu nada. A reportagem não diz qual dos dois sistemas está com problemas de acesso, pois o objetivo não é distingui-los mas apenas resolver esse pepino que eles mesmos criaram. Segue:
A Polícia Federal pediu prazo de mais 15 dias para finalizar a perícia nos sistemas Drousys e My Web Day, que eram usados entre os executivos da Odebrecht para pagamentos de propina a agentes públicos e políticos.
No pedido desta terça-feira (06), o delegado Felipe Hayashi explicou que a equipe de peritos precisa de mais tempo para a conclusão dos trabalhos porque não tem as credenciais de acesso de dados cifrados de um dos sistemas. A análise dos softwares foi determinada pelo juiz Sérgio Moro em setembro do ano passado, após um pedido da defesa do ex-presidente Lula em ação penal na qual o petista é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio de um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).
Em troca, o petista teria atuado para beneficiar a empresa em oito contratos com a Petrobras. Os advogados do ex-presidente questionavam a validade de parte das provas apresentadas pelo Ministério Público Federal, com base nos dois sistemas.
Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal já havia pedido mais tempo para terminar a perícia nos softwares depois da chegada ao Brasil de novos materiais apreendidos na Suíça. À época, o pedido de prorrogação era de 45 dias e, portanto, se encerrava nesta semana nesta quinta-feira.
Nos sistemas Drousys e MyWebDay constam milhares de documentos que comprovariam o pagamento de propina a agentes públicos e políticos. Entre os materiais está uma planilha que indicaria valores repassados ao ex-presidente Lula e ao ex-ministro Antonio Palocci. A denúncia aponta que R$ 12,4 milhões teriam sido destinados a compra do terreno para a instalação de uma nova sede para o Instituto Lula, o que nunca de fato aconteceu.
A perícia nos sistemas deve esclarecer em quais dias e horários e de qual computador foram feitas alterações no documento. Respondem a este processo, além de Lula e Palocci, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o empresário Glaucos da Costamarques.
