Após reforma, Eurofarma força trabalhador a aceitar banco de horas, diz sindicato

Da Folha:
Após a maioria dos trabalhadores da Eurofarma em Itapevi (SP) rejeitar implementar um banco de horas em uma votação acordada entre a empresa e o Sindicato Químicos Unificados, a farmacêutica está tentando negociar a mudança individualmente com os funcionários.
A possibilidade de negociação individual do banco de horas foi introduzida pela reforma trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro, mas alguns juízes a consideram inconstitucional.
Segundo o sindicato, a empresa estaria se aproveitando da mudança para coagir os trabalhadores a trocarem o recebimento de horas extras por banco de horas.
Um trabalhador que não quis ser identificado afirmou à reportagem que tem sido questionado repetidamente nos últimos dias se já havia “assinado o banco de horas”, em referência ao acordo individual para implementar a modalidade.
“O RH quer criar esse banco de horas e diz que é para quem votou a favor, só que eles estão pressionando todo o restante a aderir também”, diz ele. “Os chefes falam que uma hora todo mundo vai ter que aderir.”
De acordo com a dirigente da entidade Nilza Pereira, foi negociado e acordado entre o sindicato e a empresa a realização de uma votação sobre a implementação de um banco de horas.
Nos dias 14 e 16 de novembro, foram realizadas 13 assembleias com os trabalhadores para discutir o tema. A empresa defendia a implementação, enquanto o sindicato era contrário à proposta.
A votação teve a participação de 902 trabalhadores, dos quais 602 escolheram rejeitar a implementação do banco de horas. Segundo Pereira, há cerca de 1.100 trabalhadores pertencentes à categoria na unidade da Eurofarma de Itapevi.
